segunda-feira, 28 de junho de 2021

10 O Pequeno Príncipe e uma segunda-feira especial

 Olá pessoal, tudo bem?

    Hoje venho aqui contar sobre algo que aconteceu esta semana. Aliás, hoje mesmo, dia 28 de junho de 2021. Na escola onde atuo como residente, as aulas presenciais retornaram em maio, com turmas divididas em grupos que frequentam as aulas de forma escalonada. O que significa que uma turma de 25 ou 26 estudantes acabou se dividindo em 3. Três grupos de estudantes que ora estão em casa, ora na escola ou ainda, que permanecem em estudos monitorados já que o retorno as atividades presenciais não é obrigatório neste momento. Sobre essa nova configuração de cada turma (que se transforma em turmas) falarei em outra postagem.

    O que quero contar é da ordem da surpresa, do inesperado, daquilo que aquece o coração, acalenta a alma e faz você ter certeza de que quer mesmo ser uma professora da educação básica (mesmo que duvidasse de sua capacidade de fazer isso bem). Falo de algo que muitos/as professores/as desejam (mesmo que não admitam), mas que não esperam que aconteça. Muito pelo contrário. Num tempo onde os professores e professoras estão sento extremamente cobrados pela sociedade em geral, julgados, e, muitas vezes, rotulados como 'profissionais que não querem trabalhar' por causa da COVID-19, ouvir algo positivo, ler e/ou receber algum presente do nada, sem data comemorativa aquece também a alma. E quando isso tem origem em uma criança, um pequeno, quase pré-adolescente menino, esse gesto assume contornos ainda mais especiais. 

    Eu fico com a pureza da resposta das crianças...

    Mas para chegar ao dia de hoje preciso explicar alguns fatos anteriores. 1º) Iniciei na Residência Pedagógica em outubro de 2020, com a Turma 51/2020 e a professora Ângela (uma turma de 5º ano); 2º) O ano letivo de 2020 estava praticamente sendo encerrado sem contatos presenciais com  o grupo de estudantes e, naquele momento, eu tinha duas funções na escola. Uma que era da ordem do estágio obrigatório nos anos iniciais do ensino fundamental e outra, que dizia respeito as horas destinadas ao trabalho como residente. Isso fez com que meu estágio - com todas as suas especificidades, não pudesse ser concluído ainda em 2020 porque faltariam horas para o exercício da regência de turma. Está conseguindo me acompanhar até aqui?


   Agora avançamos no tempo e já estamos em 2021. Em fevereiro as atividades não presenciais da escola são retomadas e sigo com a mesma professora regente e uma nova Turma 51, agora identificada como Turma 51/2021. Novos estudantes, novas habilidades e competências e uma trajetória de ensino totalmente na modalidade remota para este grupo, cursada no 4º ano fora da normal (do antes conhecido - e talvez já superado - normal). Não vou abordar as perdas e ganhos para todos os estudantes em relação ao ano letivo de 2020 - totalmente atípico - e o caos colocado na e para a escola e para as famílias por causa dos procedimentos adotados pelos Governos Federal, Estaduais e Municipais com vistas ao controle da pandemia. Objetivamente, no ano passado (que muitos dizem ter sido um ano que não existiu nos moldes do que conhecíamos como normal), a escola (e aqui foco na escola, mas o mundo todo em todas as áreas) teve que se reinventar para dar conta, com a qualidade possível, daquilo que era possível ensinar!!!! 

   Longe do ideal (reconhecemos) os atores da escola buscaram alternativas para proporcionar um ensino de qualidade para todos/as. Não tivemos tempo para os ajustes. Não fomos preparados para esta outra realidade. Neste tempo/espaço que se colocou como alternativa fomos impelidos a agir com ética e coerência na intenção de preservar nossos estudantes e fomentar sua aprendizagem. Se conseguimos ou o que conseguimos é algo para mais tarde. A formação em nível superior, principalmente nas licenciaturas, sofreu um grave impacto porque as práticas correspondentes aos estágios obrigatórios também precisaram ser revistas, flexibilizadas e reinventadas. E tivemos também que lidar com está situação.

    Por sorte, com a segunda turma 51 consigo me inserir de forma mais efetiva na elaboração das remessas (material que é enviado para os estudantes para o ensino remoto e cujo conteúdo corresponde a duas semanas de aulas), participo de reuniões de planejamento na escola, de incontáveis trocas de mensagens com a professora regente da Turma 51/2021, participo dos encontros síncronos com os estudantes e me sinto, de verdade, uma estagiária/residente. Tenho contato com os pais e responsáveis pelo acompanhamento dos estudantes e me sinto incluída, mais ainda do que em 2020, com certa hipertrofia de ego, ajo como uma profissional da escola (me sinto parte dela). Até e-mail institucional já tenho e logo o tão sonhado acesso a sala de aula do Google (Classroom).

    Solidária e generosamente, a professora Ângela partilha sua experiência comigo. Me deixa assumir certo protagonismo com a turma, numa docência compartilhada que reconhece nossas diferenças, as legitima e percebe nelas possibilidades de aprendizagem não verticalizada. Numa perspectiva sistêmica, vamos tecendo essa outra forma de pensar as remessas e de fazer as interações com os estudantes. Não mais de forma emergencial (como foi ano passado). A equipe diretiva da escola nos orienta e, com muita paciência, propõe alternativas e práticas que ajudam e apoiam o outro fazer docente que nos foi colocado intempestivamente pela pandemia. Sobre as estratégias da escola vou escrever também, em breve. Vale um post isolado!

    Uma coisa eu e Ângela tínhamos em comum em relação a Turma 51/2021: nós não conhecíamos os estudantes. Por isso, fomos desvendando-os, conhecendo-os e nos apaixonando por eles e elas ao mesmo tempo. Acho que a Turma 51/2021 também merece uma postagem só dela! Fica como mais uma promessa de texto. Bem, já ia eu me perdendo no post que está ficando gigante... sem contar o porque de escrevê-lo hoje (28 de junho de 2021). Vamos aos fatos.

    Na semana passada não pude entrar na escola porque tive uma alteração na temperatura identificada na chegada e revisada com dois termômetros diferentes. A medição de temperatura é um procedimento padrão, entre outros tantos, que visam garantir a saúde de todos na escola e que tem sido seguido a risca na minha (dá pra ver que já me sinto em casa na escola). Fiquei uma semana sem ir presencialmente as aulas até ter certeza de que não estava com COVID. Isso aconteceu ao mesmo tempo em que tive que me mudar de apartamento, de uma hora para outra. Ou seja, momento de muita tensão e estresse.

    Foi então que um estudante da Turma 51/2021 me avisou pelo whats que tinha feito uma surpresa para mim e que iria levá-la na próxima semana (esta, que começou hoje). Na correria, agradeci, mas não lembrei mais disso. Até que nesta segunda-feira, cheguei na escola. Só pra aumentar o suspense vou dizer que era dia de conselho de classe, então na primeira metade da manhã nem cheguei na porta da sala da nossa aula. E, nos atropelos da rotina escolar e pela expectativa de participar do meu primeiro conselho de classe (de verdade como residente), não lembrei da anunciada surpresa.

    Na sequencia da manhã, após o momento do lanche, finalmente, entrei na sala da turma e, sobre a mesa, havia uma caixa lilás com vários corações e estrelas pintados a mão na cor vermelha. Tinha meu nome nela e eu pude ler: Profe Dani, a melhor. 

  

  A caixa surpresa também estava assinada, mas nem precisava porque imediatamente lembrei da mensagem do whats. Não pude esconder meu sorriso. Foi como se a segunda-feira fria, 3 graus marcava o termômetro do celular, tivesse se iluminado e aquecido. O autor me disse: - Espero que goste profe Dani! Respondi: - Já gostei! Morrendo de curiosidade pra saber o que tinha dentro. Mas sei que se abrisse a caixa ali, naquela hora, ia atrapalhar a dinâmica da turma (conheço a 51/2021). Avisei em voz baixa: - Vou abrir em casa e envio áudio ou vídeo comentando. Ok?! Ele respondeu: - Mas manda mesmo! Prometi. O sinal tocou e a aula de hoje foi encerrada. Os estudantes se despediram e retornei pra casa.

    Ao chegar, fiz os procedimentos necessários a quem regressa da rua: trocar a roupa, banho, higienizar os materiais que estavam comigo e -FINALMENTE - abri a caixa. Novamente o texto escrito: - Profe Dani, espero que goste! E um coração. Folhas de caderno rasgadas com textos que ainda não consegui juntar, como peças de quebra-cabeças que tem uma mensagem (gosto de acreditar que tem), ainda para ser decifrada. Três cartas (guardadas e bem escondidas entre as peças de quebra-cabeças de papel). Não ouso anunciar aqui todo seu conteúdo (são minhas, se conforme). Dois desenhos lindos. Um envelope com um jogo da velha feito por ele. Um chaveiro. Um bonequinho do papai noel. Uma pulseira ou anel de missangas. O livro do Pequeno Príncipe de Saint_Exupéry... E alguns elogios que reproduzo aqui porque são o que há de mais especial pra mim : "Você é uma das professoras mais engraçada, tagarela e simpática que eu já tive! A profe!". Veja bem, depois de tudo isso ele ainda tem dúvidas de que gostei?! Gostei sim, e muito! O que mais posso querer?! 

    E para aquelas/es professoras e professores que como eu são surpreendidos por  seus/as alunos/as sem aviso prévio eu digo: há esperança pra nós!

    Finalizo esta postagem deixando aqui o meu muito obrigado a este pequeno príncipe que alegrou minha semana e aqueceu meu coração!!

    #pormaissegundasassim

quinta-feira, 3 de junho de 2021

9 Possibilidades do educar: o redesenho das práticas na Residência Pedagógica pensando fora da caixa

 Olá pessoal!

Espero encontrá-los/as bem.

    Vou tentar nesta postagem finalizar algo que iniciei com a publicação de 03 de março de 2021, 6 Redesenhando as possibilidades do Educar em Tempos de Covid -19: atravessamentos e possibilidades para a Residência Pedagógica, quando conversei com você sobre algumas questões que se colocaram como desafios para as práticas dos residentes (da Residência Pedagógica), desde 2020 (e que permanecem em 2021) por causa da pandemia. Questões que exigiram uma reorganização e, consequentemente, uma reinvenção da escola e da educação). É uma espécie de tentativa de conclusão de ideias que foram sendo coloridas, aos poucos, ao longo das práticas na Residência Pedagógica.

Entendo a prática pedagógica como prática social que se organiza a partir da definição de objetivos, finalidades e conhecimentos, que toma o processo de ensino-aprendizagem como algo que pode se dar em diferentes espaços, desde que conduzida por um profissional que esteja preparado para lidar com uma prática pedagógica sistematiza ou não.

 

Surge daí a necessidade de um mediador que fosse capaz de formar esses profissionais, relacionando a teoria com a prática. Esse mediador teria que saber lidar com a prática de ensino, sem deixar de lado seu caráter humano, sua preocupação com o sujeito. E esse profissional não podia ser ninguém mais que o pedagogo (NASCIMENTO et al, 2010, p. 62).

 

Sob essa ótica é preciso referendar o papel social e transformador do pedagogo para além da escola. Nessa nova geografia, o lugar da educação tem seus territórios e fronteiras ampliados e se articula na premissa de que estamos constantemente aprendendo e ensinando. Trago uma frase de Paulo Freire que nos ajuda a pensar sobre essa dimensão do ensinar e do aprender com alegria, o que corresponde, em articulação com a metáfora que escolhi para a organização da escrita deste texto – em minha opinião - a redesenhar e colorir. Freire escreveu: “A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria”. A alegria das cores que vão sendo agregadas ao texto e a dimensão da prática pedagógica do pedagogo nos diferentes espaços incorporam as transformações contemporâneas que vem contribuindo para o entendimento da educação como um fenômeno multifacetado e que ocorre de várias formas (e cores).

Fonte: https://designcomcafe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/paleta-de-cores-cores3.jpg Acesso em: 03 jun 2021.

Mas como essas cores vão sendo agregadas ao texto nesse redesenho? De acordo com Nascimento et al (2010), o fazer pedagógico em espaços não escolares se relaciona às atividades que envolvem trabalho em equipe, planejamento, formação pessoal, orientação e coordenação, mas não se restringem a isso. Nesse sentido o pedagogo precisa conhecer estratégias para lidar com estudantes com diferentes condições de acesso ao material fornecido pela escola em tempos de pandemia, ter facilidade de comunicação, ser criativo, inovador e propositivo, características que já faziam parte de suas atividades na escola e que agora assumem outros contornos enquanto possiblidade de práticas em espaços não-escolares (formais). Da mesma forma que ocorre na escola, toda a atividade do pedagogo em outros espaços envolve um (ou mais) objetivo/s, uma (ou mais) intencionalidade/des. O que significa que

 

O pedagogo gerencia mais do que aprendizagens, gerencia um espaço comum, o planejamento, a construção e a dinamização de projetos, de cursos, de materiais didáticos, as relações entre o grupo de alunos ou colaboradores. Isso significa que não basta possuir inúmeros conhecimentos teóricos sobre determinado assunto, é preciso saber mobilizá-los adequadamente (FRISSON, 2004, p. 89).

 

Esse fazer reconfigurado, REDESENHADO só é possível ao pedagogo porque sua formação é sistematizada, orgânica e global e tem como objetivo a formação de sujeitos humanizados e emancipados. Mas não existem receitas em relação ao modo de fazer as intervenções nos espaços não-escolares, cabendo ao profissional escutar as demandas, avaliar a realidade de cada estudante e propor possibilidades de práticas com vistas a resolução de problemas identificados.

E por que não existem receitas/manuais? Essa é uma pergunta que pode parecer óbvia, mas não é. Porém, ainda assim, a resposta é simples. Porque cada estudante tem características próprias e demandas especificas que precisam ser consideradas em cada proposta de ação. Trata-se de uma complexificação do trabalho do pedagogo cuja abrangência se modifica. Algo que Tardif (2003) já trouxe em seu discurso ao relacionar a variedade de saberes necessárias ao pedagogo em relação a diversidade de sua atuação.

Já estou me acostumando a escrever pra você sobre as minhas experiências e rotinas na Residência. Logo apareço por aqui de novo para atualizá-lo/a sobre o que aconteceu de novo na escola. Pode esperar! Tenho muito ainda pra contar...



Um abraço fraterno virtual,

Dani


segunda-feira, 3 de maio de 2021

8 Cada cor em seu lugar

 Olá! Tudo bem?

    Sou eu de novo por aqui tentando colorir um pouco as possibilidades de práticas na Residência Pedagógica. Acho que preciso deixar algumas coisas mais claras.

Estou escrevendo a você de um lugar específico (uma cor definida). Falo de uma prática na Residência Pedagógica que está sendo realizada em uma escola municipal de Caxias do Sul/RS, localizada no bairro Petrópolis, com estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental I, desde outubro de 2020. Prática essa que teve que ir sendo ajustada de uma proposta de Ensino Remoto Emergencial (ERE) para uma modalidade de ensino que não tem um nome consensual entre os teóricos, mas que pode ser entendida descrita, de acordo com Moran (2015) como educação híbrida (misturada). Na verdade, para o autor a educação sempre foi misturada porque combinava espaços, tempos, atividades, metodologias e diferentes atores sociais (p. 27). Moran escreveu que a mistura mais complexa é aquela que integra o que vale a pena ensinar e o que vale a pena aprender, para que e como fazê-lo. Essas são perguntas que orientam hoje nossas práticas enquanto residentes. O que deve ser ensinado durante a pandemia? Para que? Como fazê-lo? Parece complicado...

Gosto de trazer Freire para os textos que escrevo sobre educação porque ele sempre nos provocou a refletir sobre uma formação emancipatória, reflexiva e crítica que tinha (e deve ter sempre) como ponto de partida, o reconhecimento do outro como legítimo na sua diferença, o entendimento de que a leitura de mundo precede a leitura da palavra e que cada sujeito precisa ter sua memória enciclopédica reconhecida e valorizada. O autor nunca escondeu o fato de que aquele que se prepara para a tarefa docente sabe que – necessariamente – precisa estudar muito. E, ainda que ele não tenha escrito um manual sobre o assunto – ainda bem, isso não seria nada Freireano- vale dizer que suas produções sempre nos convidaram a elucubrações INfinitas.

No texto Cartas de Paulo Freire aos professores o autor nos convida a refletir sobre a experiência da compreensão que não pode ser resumida a uma dicotomização. Assim como, nos seduz para um exercício crítico exigido pela leitura que passa pela escuta, emerge das experiências escolares e resulta no mundo da cotidianidade. Essa é a experiência da compreensão, que não se esgota numa intencionalidade e que, assim como a leitura de mundo, é subjetiva e sensorial. A partir da metáfora do jarro de barro Freire (2001) nos convoca a refletir sobre a prática que não é tecnicista e perfeita, que traduz na produção de cada educando seu modo de ser, estar e interagir com o mundo. Nem todos farão jarros bonitos. Nem todos conseguirão produzir algo que chamaremos ‘jarros’. Mas todos, de acordo com o autor, tem condições de produzir algo.

Freire vai escrever que o educador, ao refletir sobre os jarros produzidos irá perceber que a teoria emergia molhada da prática vivida, encharcada pelas experiências dos educandos e que isso traria para a discussão a relação entre o viável e o possível. Trocando em letras ele se referia aquilo que era viável na escola a partir da prática colocada como desafio pelo educador e aquilo que era viável de ser produzido pelos educandos.

Aprofundando esse entendimento ele escreveu que era preciso estudar para desocultar e para desocultar era necessário correr o risco, se aventurar e se desafiar. Usando a metáfora das cores e de colorir, que vem perpassando minha escrita ao longo dos capítulos entendo que é o momento de reconhecer que não existe um amarelo só, mas muitos. Assim como muitos vermelhos, magentas, carmins... Essa é a forma de entender educação que orienta as postagens do REDESENHANDO AS POSSIBILIDADES DO EDUCAR EM TEMPOS DE COVID-19 – ATRAVESSAMENTOS E POSSIBILIDADES DA RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA que, em tempos cinzas, de Pandemia,  precisam ser REcoloridos ...


sábado, 3 de abril de 2021

7 Outras possibilidades de colorir o fazer do residente: as expectativas da Residência Pedagógica...

 

Olá, tudo bem?

Estou de volta pra continuarmos nossa conversa sobre as possibilidades da Residência Pedagógica em tempos de Covid 19. Como gosto de fazer, inicio meu texto com uma epígrafe. Desta fez excerto do poema A Força do Professor de Braúlio Bessa.


Um arquiteto de sonhos

Engenheiro do futuro

Um motorista da vida

dirigindo no escuro

Um plantador de esperança

plantando em cada criança

um adulto sonhador

e esse cordel foi escrito

por que ainda acredito

na força do professor.

(Bráulio Bessa – 4ª estrofe do poema A Força do Professor[1])

 

 Na epígrafe deste tópico Braúlio Bessa nos convida a pensar nessa nova geografia de ser pedagogo que é um pouco arquiteto, engenheiro, motorista, agricultor, cordelista... e, para além disso, é ainda é o alfabetizador, aquele que inicia os pequenos e pequenas no mundo da escola. Para além disso, com o passar do tempo, o campo de ação do pedagogo foi sendo ampliado e isso se deu porque houveram alterações na educação e na própria formação do pedagogo o que fez com que os campos de atuação desse profissional não ficasse mais restrito a ações desenvolvidas nas escolas (como docência, orientação e supervisão escolar).

Nóvoa (1995), vai escrever sobre as possibilidades trazidas pela formação inicial e continuada que, aliada às políticas educacionais, tem permeado e promovido uma nova configuração de identidade do pedagogo que amplia suas possibilidades de atuação, possibilitando a ele que atue de forma ainda mais significativa e transformadora em diferentes espaços: empresas, instituições escolares e não-escolares, entre outras.

Para o autor é importante investir na qualificação das práticas pedagógicas em espaços não-escolares que se desenham como campo no qual os profissionais precisam estar aptos, ter conhecimento e clareza de atuação da mesma forma que o tem em relação a sua inserção em sala de aula.

Importante destacar que as práticas pedagógicas precisam estar em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia (Parecer CNE/CP nº 05/2005), presentes na Resolução CNE/CP nº 01/2006 (institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia, Licenciatura) e o disposto nos documentos informados na sequencia: Parecer CNE/CP nº 03/2006 (que reexamina o Parecer CNE/CP nº5/2005); Parecer CNE/CEB nº 12/201; Parecer CE/CEB nº 6/2019; e Parecer CNE/CES nº 671/219.

Destaco partes dos documentos que sublinham os espaços não-escolares e esses novos papeis dos pedagogos. No Parecer CNE/CP nº5/2005, item Finalidade do Curso de Pedagogia, página 7 há a explicitação de que a formação em Pedagogia inicia-se na Graduação onde os estudantes são desafiados a articular conhecimentos do campo com práticas profissionais e de pesquisa. E que tais práticas

 

[...] compreendem tanto o exercício da docência como o de diferentes funções do trabalho pedagógico em escolas, o planejamento, a coordenação, a avaliação de práticas educativas em espaços não-escolares, a realização de pesquisas que apóiem essas práticas. Nesta perspectiva, a consolidação da formação iniciada terá lugar no exercício da profissão que não pode prescindir da qualificação continuada. (BRASIL, 2005, p. 7).

 

No item Princípios, do mesmo documento, página 7, consta a informação de que a formação em pedagogia fundamenta-se no trabalho pedagógico realizado em espaços escolares e não-escolares que tem à docência como base. Na sequência do documento é definido o perfil do Licenciado em Pedagogia que deve estar apto a: - trabalhar, em espaços escolares e não-escolares, na promoção da aprendizagem de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento humano, em diversos níveis e modalidades do processo educativo (BRASIL, 2005, p. 8). Mas nenhum documento orientador previu a Pandemia da COVID-19 e/ou propôs possibilidades de ação da escola de forma tão intensa como temos hoje, fora dos espaços escolares.

Ainda assim, de forma resumida podemos dizer ao final das análises sobre os documentos normativos que regem a formação do pedagogo (citados neste texto) que espera-se que ao final de sua formação na Graduação o profissional licenciado em Pedagogia desenvolva suas atividades com qualidade e competência tanto na escola, quanto fora dela. Daí a possibilidade de retomarmos a epígrafe deste tópico e os versos finais do poeta-cordelista (Bráulio Bessa) que ainda acredita na força do professor, assim como eu e, espero, você também.

Em 2021, ao realizar a avaliação sobre o potencial da Residência Pedagógica para a minha formação profissional me sinto atravessada por dois sentimentos. O primeiro é da ordem do desejo de experienciar de forma mais concreta a realidade do ‘chão de escola’, da rotina do professor desde o recebimento dos estudantes até o final do turno de estudos. Essa vivência é algo que me faz falta. E que não foi suprida em meus estágios anteriores. Fui direto da academia para a formação de professores no Ensino Superior, atuando na formação docente nos níveis de extensão, graduação e especialização ao longo de mais de 15 anos. Falo sobre a prática da escola ainda de uma perspectiva que é mais de pesquisadora do que de professora do ensino básico e isso tem, numa perspectiva sistêmica, perturbado minha forma de pensar a própria práxis.

Não quero com isso desqualificar meu discurso, mas lembro bem da primeira pergunta feita pela professora regente da turma 51 (da escola na qual desenvolvo minha prática), que hoje considero grande amiga, quando fui apresentada a ela em outubro de 2020: “- Quanto tempo tens de chão de escola? De sala de aula no Ensino Fundamental?”.

Este é o avatar da professora Ângela que criei para ela (no Mirror). Inserimos as figuras dos nossos avatares em muitas remessas que elaboramos para os estudantes. Mas está já é outra história. Prometo voltar a ela em uma postagem mais adiante no Blog.

Retomando: naquele momento não importava para ela minha formação, minha primeira graduação (licenciatura), meu Mestrado e/ou Doutorado em Educação... ela queria saber o que eu de fato, sabia da realidade da escola. De forma direta e franca respondi: “- Quase não tenho prática além das horas de estágios obrigatórios e, justamente por isso, me inscrevi para a Residência Pedagógica entendendo-a como oportunidade de aprendizagem e aperfeiçoamento do estágio curricular supervisionado nos cursos de licenciatura. Acredito que a imersão na escola de educação básica nesta modalidade amplia minhas possibilidades de atuação inserindo regência e intervenção pedagógica e que o teu olhar e a tua experiência em sala de aula podem me ajudar a ser uma professora melhor, qualificando a minha prática. Estou aqui como discente, não como pesquisadora. Quero aprender com você!” E aqui estou, desde outubro de 2020, trabalhando com a professora Ângela de uma forma orgânica e sistêmica. Aprendendo com ela que, até então, em 25 anos de escola, nunca tinha aceitado uma estagiária em suas turmas.


A Residência Pedagógica (RP) tem se constituído em uma oportunidade de formação que tem ampliado minha visão da escola, não ficando restrita as atividades e ou carga horária de um estágio obrigatório. Estou conhecendo as múltiplas dimensões da rotina escolar na medida em que fui me inserindo nas reuniões pedagógicas e de planejamento não apenas da turma 51/2020, mas da escola como um todo.

O segundo sentimento que atravessa a minha percepção sobre a prática da RP tem relação com o momento que o Brasil e o mundo vêm passando. Os efeitos da COVID 19 nas práticas sociais nas diferentes instâncias (social, econômica, da saúde, etc.) e os potenciais e, ao mesmo tempo, devastadores impactos dela na educação das crianças e jovens nos anos de 2020 e 2021... Egoisticamente esperava estar na escola diariamente, convivendo com os estudantes e com a professora regente. Vivenciando a rotina do planejar, executar e avaliar cada Plano de Aula elaborado. O desejo da experiência concreta, palpável, do ‘chão da escola’ que é a sala de aula não se fez possível em 2020. Por questões de segurança as escolas estão fechadas desde março para os estudantes e precisaram REinventar as práticas pedagógicas sem aviso prévio.

Professores foram impelidos a conhecer uma realidade impensada e, de uma hora para outra, suas práticas precisaram ser REvisitadas e REajustadas. A escola de 2020 já não era mais a mesma na qual eu queria me inserir e conhecer. Novos desafios se colocaram para a direção, coordenação pedagógica e os diferentes atores sociais que ocupavam a escola até 2019. Não havia plano B. Tudo teve que ser adaptado e aprendido – de uma nova forma. Outros modos de ensinar e de aprender emergiram da situação de calamidade trazida pela Pandemia da COVID 19.

Não tive a oportunidade de experienciar a rotina da escola em 2020 – aquela rotina presencial, mas descobri que as experiências que eu tinha na formação de professores, principalmente, no ensino a distância poderiam ajudar a escola, a professora e a turma na qual eu estava me inserindo como Residente, ampliando ainda mais as possibilidades de formação trazidas pela RP. Essa é uma história em construção. O fato é que o paradoxo inicial entre o desejo de estar presencialmente na escola e a impossibilidade de fazê-lo por causa da pandemia se transformou. Hoje, quando escrevo esse relatório penso que a educação que eu queria conhecer mais profundamente não será mais a mesma e que nós, professores e estudantes, também nãos seremos mais os mesmos quando as aulas presenciais retornarem.

Esse quase um ano e meio, de desassossegos e perturbações, vai trazer impactos e mudanças para a educação que talvez, inconscientemente, estivéssemos desejando sem saber. A crise da educação já estava posta. A pergunta: educar para quê? já fazia parte do imaginário docente. A própria formação de professores nas instituições de ensino superior precisará ser revista...

Os professores que retornarem à escola, quando a pandemia permitir, assim como os estudantes, vão retornar para uma escola diferente... Em pouco mais de 15 meses a educação teve que evoluir mais do que em 50 anos. Nem tudo o que esse momento triste trouxe foi ruim, resta saber o que vamos fazer enquanto população e enquanto escola no futuro. Não tenho respostas. Seria muito ingênuo e prepotente achar que sim. Tenho dúvidas que me movem enquanto residente, estagiária, professora e pesquisadora. Os desafios estão aí. As soluções precisarão ser construídas de forma solidária. Mas como fazer isso?

Veja, novamente termino uma postagem com uma pergunta. Uma inquietação. Um desassossego. No próximo post avanço na direção de uma possível resposta. Vem comigo?!

Abraço virtual apertado
e até a próxima,
Dani


[1] Disponível em: https://www.pensador.com/poesia_professor/ Acesso em: 12 abr 2021.

quarta-feira, 3 de março de 2021

6 Redesenhando as possibilidades do Educar em Tempos de Covid -19: atravessamentos e possibilidades para a Residência Pedagógica

     Olá! Tudo bem?

    Estou de volta para conversar com você sobre algumas questões que se colocaram como desafios para as práticas dos residentes (da Residência Pedagógica) desde 2020 por causa da pandemia. Questões que exigiram uma reorganização e, consequentemente, uma reinvenção da escola e da educação. 

    Questões que impactaram e continuam impactando nas práticas de todos os atores da escola (direção, coordenação pedagógica, professores, funcionários, estudantes, famílias, profissionais do transporte e da alimentação, entre outros) em diferentes dimensões. Mas do imprevisto, do inesperado podem emergir alternativas que não apenas modifiquem o rumo, mas também, o qualifiquem.    

O conhecimento emerge apenas através da invenção e da reinvenção, através da inquietante, impaciente, contínua e esperançosa investigação que os seres humanos buscam no mundo, com o mundo e uns com os outros.

Paulo Freire (Pedagogia do Oprimido)

 

 

A epígrafe que escolhi como ponto de partida desta postagem intitulada REDESENHANDO AS POSSIBILIDADES DO EDUCAR EM TEMPOS DE COVID-19 – ATRAVESSAMENTOS E POSSIBILIDADES DA RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA, é um excerto do texto de Paulo Freire extraído do livro Pedagogia do Oprimido (1968), e nos provoca a pensar sobre as possibilidades de produção do conhecimento que estão, invariavelmente, sendo tecidas em um tempo/espaço atravessado por fatores externos à escola – enquanto espaço de educar legitimado pelos discursos legais – que faz emergir a necessidade de inventar, reinventar, contínua e esperançosamente, outras possibilidades de formação capazes de contribuir com aquilo que os seres humanos buscam “[...] no mundo, com o mundo e uns com os outros” (FREIRE, 1968). (Grifos meus)

Freire escreveu ao longo de sua vida que a educação pode ocorrer em qualquer espaço e que ela não precisava (e nem precisa) ficar restrita as paredes de uma sala de aula, mesmo na escola. Vale o destaque de que o educador nunca escreveu que também deveria ou sequer, poderia, prescindir dela (da escola). Nesse sentido, entender a educação para além dos espaços escolares, como uma teoria do conhecimento posta em prática sob diferentes formas, normas, correntes teórico-epistemológicas é importante para aquilo que chamo de REDEsenho das possibilidades de educar, principalmente, em tempos de COVID-19.

Impossível deixar de fora deste texto a contextualização do momento ímpar que o Brasil e o mundo (em 2020 e 2021) tem enfrentado por causa da COVID-19 que impactou (e segue impactando) de forma esmagadora as relações humanas exigindo o distanciamento e, em alguns momentos, o isolamento social. E isso se reflete em alterações nas relações de trabalho, nas atividades culturais e sociais, na economia e, de modo perturbador, “[...] nos leva a questionar nosso modo de vida, nossas reais necessidades mascaradas nas alienações da vida cotidiana” (MORIN, 19 de abril, 2020)[1]. A Pandemia causada pela disseminação do vírus da COVID-19 está fazendo com que os homens repensem sua forma de ver, ser e estar no mundo e isso se reflete na produção do conhecimento e no educar. Hoje, entendo que estamos valorizando, com muito mais intensidade, coisas do cotidiano que tratávamos com normalidade como os abraços, os sorrisos, o contato físico...

Gosto de trazer para o debate o conceito de ‘perturbação’ sob o qual Morin (2005) se debruçou durante muito tempo, porque é a perturbação dos princípios clássicos (poderíamos escrever: conhecidos) que explicam uma realidade que faz com que sejamos provocados a investigar e fazer novas descobertas (científicas ou não), através de uma revolução que conduz a uma (ou mais) mudanças de paradigmas (enquanto conjunto de princípios de associação/exclusão/inclusão que comandam o pensamento e a teoria). O que, consequentemente, apresenta (e/ou provoca a pensar) em uma ou mais mudanças na visão de mundo.

Aqui me atrevo a fazer conversar Freire e Morin porque ambos nos provocam a pensar que: não ignoramos tudo, não sabemos tudo e que aprendemos sempre. Para além disso, os autores nos convocam a sair do imobilismo (da nossa zona de conforto) de forma inquietante, impaciente, contínua – antes mesmo da Pandemia - e reconhecem na perturbação (ainda que Freire não tenha usado exatamente esta palavra), a possibilidade da construção de mudança. Freire escreveu

 

Ai daqueles que pararem com sua capacidade de sonhar, de invejar sua coragem de anunciar e denunciar. Ai daqueles que, em lugar de visitar de vez em quando o amanhã pelo profundo engajamento com o hoje, com o aqui e o agora, se atrelarem a um passado de exploração e de rotina. (Paulo Freire). (Grifos meus)

 

A acomodação, ao contrário da perturbação, nos coloca em risco porque deixamos de duvidar e de questionar o que fazemos e o que vivemos/experienciamos, e pode, como nos apresenta Freire no excerto acima, ao repetir no texto a expressão “Aí daqueles”, nos induzir a uma situação de subserviência, exploração e rotina que nos impede de questionar nosso modo de vida e nossas reais necessidades que podem permanecer mascaradas nas alienações da vida cotidiana.

Ao fazer dialogar Morin e Freire nesta parte introdutória do texto, vou tecendo as primeiras linhas de uma intencionalidade atravessada pela Pandemia que influenciou e modificou minha própria proposta de ação na Residência Pedagógica. Para que possamos avançar no texto, penso ser preciso explicar algumas coisas. Começo escrevendo sobre as perturbações da COVID-19 em relação as escolas (que estão fechadas desde março de 2020) e a educação. Vale dizer que o retorno gradual as atividades presenciais está sendo anunciado para a qualquer momento, mesmo que não existam ainda (ou tenham sido publicados) indicadores confiáveis e/ou protocolos referendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de que a Pandemia está em declínio e/ou controlada. Nos países em que tais práticas foram retomadas estão sendo informados aumentos de casos significativos de contágio não apenas de crianças em idade escolar mas, também, de profissionais da educação e população em geral.

Para estas reflexões iniciais observei o disposto nos documentos vigentes no País em relação à proposta de práticas presenciais nas escolas e, também, aqueles referentes aos estágios obrigatórios para os cursos de licenciatura da Universidade de Caxias do Sul (UCS), cito o Protocolo de Contingências para Atividades Acadêmicas devido à Pandeia da Covid-19 – período letivo2020/04[2], item 6 e a Instrução Normativa da PRAC 09/2020[3].

Dentre os documentos vigentes destaco a Portaria nº 343, de 17 de março de 2020 que dispõe sobre a substituição das aulas presenciais por meios digitais enquanto durar a pandemia do novo Coronavírus – COVID-19. A Nota de Esclarecimento do Conselho Nacional de Educação (CNE) publicada no dia 18 de março do corrente ano que elenca uma série de medidas de segurança e prevenção à propagação do COVID-19 e impacta diretamente nas atividades escolares. O Parecer nº 5/2020, de 28 de abril, que tem como foco a reorganização do Calendário Escolar e da possibilidade de cômputo de atividades não presenciais para fins de cumprimento de carga horária mínima, em razão da Pandemia do COVID-19. O Parecer nº 11/2020, de 07 de julho, que traz orientações para a realização de aulas e atividades pedagógicas presenciais e não presenciais no contexto da Pandemia. Bem como, a Lei nº 14.040, promulgada no dia 18 de agosto do corrente, que estabelece normas educacionais excepcionais a serem adotadas durante o Estado de Calamidade Pública reconhecido pelo Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020, e altera a Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009.

Entendo que a situação causada pela Pandemia do COVID-19, há de ter efeitos e impactos nas práticas dos residentes quando provocados a refletir sobre a atual realidade escolar, as possibilidades de práticas e os espaços não-escolares de educação e que essa inesperada mudança de rumo precisa ser assimilada nas nossas práticas. Mas o que isso significa? Significa a adoção de outras metodologias e práticas que sejam capazes de articular o atual momento e a necessidade de realização de atividades que respeitem os protocolos de segurança e cuidado com o outro.

Muitas perguntas nos perturbam ainda. Uma delas sinaliza algumas possibilidades de reflexão sobre a prática na residência pedagógica: O que podemos fazer?! Pretendo dar continuidade a esse pensamento na próxima postagem. Me acompanha?!

E antes de mais nada: a pandemia não acabou então, se possível: fique

Abraços,

Dani

[1] Texto publicado originalmente no Jornal ‘Le Monde’, em 19 de abril de 2020. Disponível em: https://www.lemonde.fr/idees/article/2020/04/19/edgar-morin-la-crise-due-au-coronavirus-devrait-ouvrir-nos-esprits-depuis-longtemps-confines-sur-l-immediat_6037066_3232.html Acesso em: 12 abr 2021.

[2] Disponível em: https://ucsvirtual.ucs.br/informacoes/25125/arquivo/27923/ Acesso em: 20 abr 2021.

[3] Disponível em: https://ucsvirtual.ucs.br/informacoes/25191/arquivo/28043/ Acesso em: 20 abr 2021.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

5 O que diferencia um estágio obrigatório da Residência Pedagógica?

Olá, como vai?

Na postagem do dia 07 de dezembro (de 2020), conversamos sobre o Programa Residência Pedagógica (RP), o que ele era, quais os atores envolvidos e os tipos de bolsa que cada ator recebida de acordo com sua função. Prometi que numa próxima conversa já poderia escrever mais um pouco sobre minha inserção no Projeto, quais as minhas responsabilidades e contar sobre a rede, a escola e a turma na qual eu estou atuando. Mas acredito que tem algumas coisas que ainda precisam ser melhor esclarecidas.

Fiquei me perguntando: Será que só eu não conseguia entender as diferenças entre um estágio curricular supervisionado obrigatório e a residência pedagógica?


Aí pensei que talvez essa dúvida não fosse só minha e resolvi fazer esta postagem discorrendo sobre o tema. Vou começar explicando um pouco sobre o Estágio Curricular Supervisionado Obrigatório. Ele é aquele estágio que está previsto na nossa matriz curricular, faz parte da carga horária do curso e não prevê nenhuma remuneração e/ou relação trabalhista com a instituição  ou empresa na qual realizamos o estágio. O estágio é obrigatório para todos os cursos de licenciatura e devem ser realizados em escolas públicas ou privadas que precisam estar cadastradas na secretaria de educação do município e ser aprovadas pela coordenação do curso. 

De acordo com o site UCS Carreiras, o Estágio Obrigatório é requisito necessário para aprovação e obtenção do diploma. Vale ficar esperto/a e observar as diretrizes e orientações do seu curso para formalizar ser estágio, cumprir a programação didático-pedagógica especifica e os requisitos técnico-profissionais definidos por cada área.

No Programa Residência Pedagógica da UCS podem se inscrever estudantes de Educação Física e de Pedagogia. A RP UCS tem dois núcleos: Núcleo Educação Física e Núcleo Alfabetização/Pedagogia. Eu faço parte deste segundo núcleo.

Como sou acadêmica de Pedagogia, segunda licenciatura, na UCS, devo observar, em relação ao estágio obrigatório, o que está explicitado no Projeto Político Pedagógico do Curso (PPP). Se quiser saber mais sobre Pedagogia - segunda licenciatura na UCS é só clicar sobre a imagem abaixo.


No meu caso são três estágios obrigatórios: Estágio em Pedagogia Espaços Não Escolares; Estágio em Pedagogia no Ensino Fundamental; e Estágio em Pedagogia na Educação Infantil. Cada um destes estágios tem um Guia de Estágio especifico, no qual são apresentados os referenciais e os objetivos do estágio. Bem como, o detalhamento da proposta de cada estágio e aquilo que precisa constar em cada uma das etapas. Por exemplo: a Análise da Realidade (AR); a Elaboração do projeto Didático Interdisciplinar; o Desenvolvimento das atividades diárias (prática - planos de aula); a escrita de um artigo final; avaliação do estágio; e tudo aquilo que cada um de nós precisa saber para finalizar o estágio.

O Guia de Estágio deve ser nosso livro de referência, nossa leitura obrigatória, uma espécie de bíblia do estagiário que pode (e deve) ser consultada sempre que tivermos alguma dúvida. Se a gente não conhecer o conteúdo do Guia vai acabar fazendo algo errado ou deixando de fazer algo que era necessário. 

Consulte o Guia de Estágio sempre que tiver alguma dúvida!




De forma - beeeeemmmmm - resumida no Guia de Estágio encontramos a carga horária da atuação docente + as horas destinadas a observação que fazem parte da carga horária total do estágio obrigatório. Por exemplo, no Estágio em Pedagogia na Educação Infantil eu tenho que cumprir:  Isso significa que o estágio tem dia e hora para acabar. Diferente da Residência, que prevê uma carga horária bem maior e exige a dedicação de 23 horas mensais para o desenvolvimento das atividades. O discente que atua na Residência pode estar vinculado ao programa por até 18 meses ou até sua diplomação e, como eu já escrevi antes, o residente recebe uma bolsa pelo seu trabalho. Mas tem outras diferenças entre o estágio obrigatório e a residência pedagógica. 

Por exemplo, a Residência Pedagógica perpassa desde a experiência em sala de aula até a aclimatação ao ambiente escolar e as atividades de avaliação. Enriquece o currículo, é uma ótima oportunidade de vivenciar a nossa profissão na prática, antes da conclusão do curso. A RP tem como foco a ampliação da integração entre instituições de ensino superior, secretarias de educação e escolas e ambiciona o desenvolvimento de projetos que aproximem cada vez mais a formação acadêmica das demandas reais da sala de aula. Como não é uma atividade obrigatória do currículo espera-se também que os residentes inscritos possam aproveitar a RP como um aprimoramento do estágio visto que ela oferece ao estudante mais oportunidades de exercer características básicas da docência. Na RP o discente consegue ter uma vivência mais continuada da rotina da escola, podendo acompanhar inicio, meio e final de um semestre ou ano, entre outras atividades da rotina escolar.

Ficou curioso/a pra saber mais? 

Então deixo aqui algumas referências de leitura complementar:

POLADIAN, Marina Lopes Pedrosa. Estudo sobre o Programa Residência Pedagógica da UNIFESP: uma aproximação entre universidade e escola. In: EduECE - Livro 2, p. 03060 - 03071. 

SILVA, Katia Augusta Curado Pinheiro da; CRUZ, Shirleide Pereira. A Residência Pedagógica na Formação de Professores: história, hegemonia e resistências. In: Momentos: Diálogos em educação, E-ISSN 2316-3100, v. 27, n. p. 227-247, mai./ago, 2018. Disponível: https://periodicos.furg.br/momento/article/download/8062/5352 Acesso em: 17 maio 2021.

A gente se encontra por aqui e lembre-se que a pandemia ainda não acabou então fique em casa, se precisar sair use máscara e mantenha distância!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

4 Desvendando o Programa de Residência Pedagógica: O que é? Quem são os atores? As bolsas?

 

Olá, como está?

O Blog está ganhando corpo e meio que estou ficando viciada em aparecer por aqui pra conversar com você. No Post 3 - Eu, Dani (Ela) e a Residência Pedagógica: primeiras aproximações prometi que na próxima vez que a gente se encontrasse eu contaria pra você como uma Instituição de Ensino Superior (IES) se torna parceira da CAPES no Programa Residência Pedagógica (PRP) e que explicaria as modalidades de bolsa oferecidas e o que é preciso necessário para que um discente se candidate a residência. Então bora dar conta do prometido!

Para que uma IES se torne parceira da CAPES no PRP ela precisa concorrer em um edital público nacional no qual apresenta um projeto institucional. O PRP será desenvolvido em regime de colaboração com as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação o que significa que as IES que pretendem submeter projetos aos editais precisam estabelecer parcerias com as escolas das redes (estaduais e/ou municipais). Ou seja, o Projeto submetido pela IES deve evidenciar estreita articulação com a proposta pedagógica das redes de ensino que irão receber os discentes (licenciandos).

Essa parceria recebe o nome de Regime de Colaboração que será efetivado por meio de formalização de Acordo de Cooperação Técnica (ACT), firmado entre o Governo Federal (CAPES) e os estados, por intermédio das secretarias de educação estaduais ou órgão equivalente. A participação do governo municipal se dá através do Termo de Adesão ao ACT, firmado pelas secretarias de educação. Está achando difícil de entender (complicado demais)? 

Vou inserir aqui uma imagem que pode ajudar a entender como isso acontece.
Fonte: autora. Figura desenvolvida a partir do site Programa de Residência Pedagógica (CAPES).

O último edital publicado para o PRP (nº 01/2020) foi publicado em março. Mais de 300 instituições de ensino superior enviaram propostas e o PRP + PBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência), ofereciam juntos 60.000 vagas para a formação de professores da Educação Básica. A maior diferença entre o PRP e o PBID é que o segundo é direcionado aos discentes de licenciatura que estão no início do Curso e o PRO é para aqueles que estão na fase final. Se você quiser saber quais as outras diferenças entre os dois programas escreve nos comentários deste post que providencio um texto bem explicativo. É que como meu foco no momento é a PRP estou dedicando mais energia para esclarecimentos sobre ela. Cada Programa ofereceu, de acordo com o respectivo edital: 30.096 bolsas para até 250 instituições de ensino superior, com duração de até 18 meses, sendo que 60% delas (no mínimo) seria destinado as áreas consideradas prioritárias: Alfabetização. Biologia, Ciências, Física, Língua Portuguesa, Matemática e Química.

Agora que já sabemos mais sobre o PRP vamos entender um pouquinho sobre as bolsas oferecidas. São 4 tipos de atores no Projeto: residentes, coordenador/a institucional; docente orientador/a; e preceptor/a. Cada ator tem diferentes funções no Projeto e recebe valores diferenciados, como podemos observar na figura abaixo.

Fonte: autora. Figura desenvolvida a partir do site Programa de Residência Pedagógica (CAPES).

Acho que já avançamos bastante sobre o tema: PRP. Agora você já sabe um pouco mais sobre mim, conhece o Programa, entendeu como uma IES se torna parceira da CAPES e sabe que cada ator (sujeito envolvido no Projeto) tem uma função e recebe um valor (bolsa). Acredito que numa próxima conversa já posso escrever mais um pouco sobre minha inserção no Projeto, quais as minhas responsabilidades e contar sobre a rede, a escola e a turma na qual estou atuando.

Até o próximo post!
E, enquanto for possível...